Meditação faz bem? O que diz a Ciência | por Claudia Feitosa-Santana

Meditação faz bem? O que diz a Ciência | por Claudia Feitosa-Santana

Meditação é um exercício de observação do estado presente, e que pode também ser a observação da respiração ou de pensamentos que invadem nossa mente. Ao contrário do que muitos pensam, meditar não é esvaziar a mente; a invasão de pensamentos é normal, faz parte da prática e ocorre com frequência, até mesmo para muitos monges.

Existem várias formas de meditação e cada um pode encontrar a sua. Para além do mindfulness e do zazen, por exemplo. Fazer pão ou rezar o terço também podem ser consideradas práticas meditativas assim como correr ou surfar, depende da pessoa. Ser ou não ser uma prática meditativa pode ser bastante subjetivo porque depende de quem pratica.

Não há dúvidas de que a prática meditativa está associada à melhora da qualidade de vida, mas é importante saber que muitas pessoas não se sentem bem e têm, por exemplo, piora no sono, aumento da ansiedade ou, até mesmo, ataques de pânico. Estudos para analisar seus efeitos estão apenas no começo, mas já temos algumas constatações importantes! A seguir você confere algumas delas.

Depressão

A prática meditativa pode atuar na redução ou controle dos sintomas de depressão. No entanto, o número de sessões varia de paciente para paciente, já que a eficácia da meditação depende muito do perfil das pessoas, algo que ainda é pouco compreendido, além da gravidade da doença. Mas, o mais importante: a prática da meditação reduz o risco de desenvolver depressão, assim como reduz o risco de recaída para pacientes que já tiveram a doença.

Ansiedade

A meditação parece melhorar os sintomas, mas ainda não é possível afirmar se modifica o diagnóstico. De novo: depende do perfil da pessoa e do tipo de transtorno. A meditação pode até ser contraindicada para algumas pessoas que têm TAG e nunca meditaram e, por isso, é indicado que seja inicialmente supervisionada. Em contrapartida, assim como para depressão, a meditação pode ser um dos mecanismos preventivos, evitando a evolução dos sintomas porque parece ajudar na melhora da atenção.

Um grupo de pesquisadores brasileiros avaliou o efeito da atenção na meditação: o grupo de não-meditadores foi menos eficiente em uma tarefa que exigia grande carga atencional, em comparação com o grupo de meditadores (que já praticavam a meditação, em média, por mais de 8 anos). Esse estudo detectou, ainda, diferenças relevantes no funcionamento cerebral entre dois grupos.

Cérebro e Mente: a meditação pode melhorar a forma como funcionamos

Outro estudo brasileiro verificou que mulheres com mais de 60 anos que praticavam yoga por no mínimo 8 anos tinham espessura cortical maior em uma região frontal, o que sugere que elas tinham uma maior capacidade cognitiva, ou seja, maior capacidade em adquirir conhecimentos em geral. Esses estudos brasileiros, junto com muitos outros internacionais, nos levam a crer que a meditação pode alterar nossa estrutura cerebral e nossas conexões, melhorando a forma como funcionamos.

Grupos de meditadores saudáveis parecem ter menos perda cortical com a idade, e pacientes que meditam e que têm doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer, apresentam um estado melhor do que os não meditadores.

Trouxe, aqui, apenas algumas constatações de estudos recentes. Apesar de parecer óbvio que genericamente a meditação provoca resultados positivos, as evidências ainda apontam para efeitos relativamente pequenos ou moderados. Claro, porque ela deve fazer parte de uma atitude integralmente saudável perante a vida; boa alimentação, boas noites de sono e a prática regular de atividades físicas.

 

Aqui a lista de referências utilizadas para escrever esse artigo e, também, outras que são extremamente pertinentes sobre os estudos de meditação e que não foram tratadas na matéria ou no vídeo:

Escrito por Feitosa-Santana

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